Rio de Janeiro
O Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado (PEDUI) é um dos principais instrumentos de planejamento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ). Ele estabelece diretrizes para o desenvolvimento territorial, considerando o contexto econômico, social e ambiental, com horizonte de atuação para até 2040.
A síntese de visão proposta orienta-se para o conceito de uma metrópole sustentável e resiliente, caracterizada por serviços urbanos universalizados, equilíbrio em sua estrutura, inteligência, inovação e eficiência em seu desenvolvimento. O plano prioriza o combate às desigualdades, a integração entre pessoas e a valorização dos patrimônios natural e cultural.
Elaborado pelo Consórcio Quanta Consultoria – Jaime Lerner Arquitetos Associados, vencedor de concorrência internacional promovida pelo Banco Mundial, o PEDUI visou integrar os municípios metropolitanos, fortalecer suas centralidades e promover o desenvolvimento socioeconômico de forma sustentável.
A RMRJ é composta por 21 municípios, que reúnem 12,4 milhões de habitantes, o equivalente a 74% da população do Estado, distribuídos em 6.700 km² de território, dos quais 99,5% são urbanos. A região concentra 71,6% do PIB estadual, abriga 216 Unidades de Conservação e um expressivo patrimônio histórico-cultural, recebendo aproximadamente 1,6 milhão de turistas por ano.
Esses indicadores demonstram a dimensão e a complexidade do território, reforçando a importância de um plano articulador e de longo prazo, capaz de orientar políticas públicas e investimentos estratégicos para promover um desenvolvimento integrado, inclusivo e estratégico.
Extensão Territorial: Contexto e Inclusão de Petrópolis
Estruturado para alinhar planejamento territorial, políticas públicas e investimentos estratégicos, o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado (PEDUI) representa uma ferramenta central para um desenvolvimento de longo prazo.
Sua trajetória começou com a apresentação da cartografia metropolitana e a formação de comitês e conselho, seguidos de oficinas temáticas e atividades participativas que produziram um diagnóstico e uma visão de futuro para a metrópole. Em seguida, foram definidos cenários e Programas de Ações Prioritárias, estabelecendo intervenções estratégicas para orientar o crescimento e a integração regional.
A conclusão do trabalho resultou na consolidação de diretrizes e de uma carteira de projetos. Em 2022, Petrópolis foi incorporado ao PEDUI, por meio de processo participativo próprio, agregando novas perspectivas territoriais e ações específicas, especialmente nos campos da mobilidade, logística e articulação com a capital, preservando o alinhamento com as diretrizes de sustentabilidade e resiliência.
"A participação social foi elemento central em todas as etapas do PEDUI, garantindo que o planejamento incorporasse as demandas, percepções e prioridades da população metropolitana."
Configuração Territorial e Diretrizes Regionais
O desenho territorial da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, adotado pelo PEDUI, parte da divisão em Macrorregiões de Planejamento, ferramenta que possibilita compreender a metrópole em sua diversidade e responder com estratégias específicas para cada realidade.
O Oeste concentra a maior população e atividade econômica, mas também áreas vulneráveis que demandam redução de desigualdades. O Leste, em expansão recente, precisa conter o espraiamento urbano e reduzir a dependência da capital. O Fundo da Baía, com grande território ainda não ocupado, tem foco na segurança hídrica e alimentar. O Norte concentra esforços no adensamento e integração urbana, enquanto o Hipercentro se destaca pela pesquisa, inovação e oferta de serviços complexos. Já o Nordeste tem como prioridade o desenvolvimento rural e a segurança hídrica. Cada macrorregião conta com centralidades de segundo grau, pensadas para garantir autonomia regional e acesso a serviços e facilidades urbanas.
Com essa estrutura, o PEDUI oferece um instrumento que não apenas organiza o território, mas também direciona decisões e investimentos capazes de transformar a realidade metropolitana, ampliando o acesso a oportunidades e melhorando a qualidade de vida da população.
Participação Social
A elaboração do PEDUI foi marcada por um processo de participação social amplo e diverso, garantindo que diferentes vozes e experiências estivessem representadas. Entre 2016 e 2018, foram realizados vinte e oito encontros, vinte e dois grupos de discussão e uma conferência metropolitana, reunindo cerca de quatro mil presenças e dois mil participantes efetivos.
No ciclo de inclusão de Petrópolis, em 2022, a mobilização manteve o mesmo caráter integrador, com dezesseis grupos de discussão, cinco oficinas de integração, uma audiência pública e uma oficina de encerramento, totalizando aproximadamente quinhentos participantes.
Essa mobilização assegurou que as diretrizes e propostas do plano refletissem a pluralidade de visões presentes na metrópole, fortalecendo sua legitimidade e relevância. Ao valorizar a escuta ativa e o diálogo aberto, o PEDUI reafirma a importância de práticas como o orçamento participativo e outros instrumentos de democracia colaborativa, essenciais para uma gestão pública transparente e alinhada às reais necessidades da população.
Planejar para Viver: Habitação, Meio Ambiente e Conexões Metropolitanas
O PEDUI projeta para 2040 uma metrópole sustentável e resiliente, capaz de oferecer moradia digna, mobilidade eficiente e equilíbrio ambiental. Entre as metas estratégicas, destaca-se a construção de um milhão de novas habitações, aliada à contenção do espraiamento urbano, à implantação de eixos de mobilidade transversal conectando centralidades, à recuperação ambiental das baías, com atenção especial à Baía de Guanabara e à integração econômica e social das macrorregiões.
Essas ações foram concebidas para reduzir desigualdades, ampliar a qualidade de vida e garantir a competitividade do território no longo prazo.
Para viabilizar essa visão, o plano reúne 126 ações organizadas em seis grandes programas, dos quais 90 abrangem também o município de Petrópolis e cinco foram incorporadas na atualização.
Os programas são: Metrópole Inteligente, voltado para pesquisa, desenvolvimento, economia criativa, valorização do patrimônio e logística; Metrópole Sustentável, com foco em segurança hídrica, tratamento de esgoto, recuperação ambiental e conectividade ecológica; Equilibrar a Metrópole, destinado ao fortalecimento de centralidades periféricas e mobilidade transversal; Habitar a Metrópole, que contempla ações de saneamento, drenagem, regularização fundiária e transporte ativo; Infraestrutura Verde e Azul, voltada à integração de sistemas naturais e recuperação ambiental; e Conectividade e Mobilidade, que prioriza redes de transporte integradas.
Relevância Estratégica
O Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado (PEDUI) consolida-se como um instrumento essencial para promover o equilíbrio territorial e reduzir a concentração de oportunidades na capital fluminense. Ao oferecer respostas estruturadas às pressões urbanas e climáticas, serve como base para a captação de recursos, apresentando uma carteira de projetos alinhada a políticas nacionais e internacionais. Sua abordagem transversal integra habitação, mobilidade, uso do solo, meio ambiente, economia criativa e logística, evitando soluções fragmentadas e ampliando o impacto das intervenções.
A Quanta Consultoria liderou tecnicamente o consórcio responsável pela elaboração do PEDUI, coordenando diagnósticos setoriais, estudos de cenários, modelagens urbanas, estratégias de mobilidade e diretrizes socioeconômicas e ambientais. Com experiência consolidada em projetos multissetoriais e uma abordagem interdisciplinar, a empresa assegurou que o plano refletisse as especificidades da metrópole, incorporando metodologias participativas que conferiram legitimidade e qualidade técnica.
Adaptando as melhores práticas internacionais à realidade fluminense, a Quanta entregou um documento abrangente e aplicável, capaz de orientar investimentos e apoiar a implementação de projetos estratégicos, fortalecendo seu papel como referência nacional em planejamento territorial e desenvolvimento integrado, e estabelecendo bases para que, até 2040, haja recursos e capacidade institucional suficientes para sustentar a execução contínua dos planos e ações propostos.