O Caminho Melhor Jovem (CMJ) foi um programa voltado à inclusão social e produtiva de jovens de 15 a 29 anos moradores de territórios com Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), desenvolvido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre 2013 e 2017. Sua proposta partia de um entendimento central: apoiar jovens não significa apenas oferecer vagas ou serviços, mas construir caminhos mais conectados com suas trajetórias, seus interesses, seus desafios e suas possibilidades de futuro. O programa atuou em diferentes territórios e alcançou milhares de jovens por meio de uma metodologia centrada no acompanhamento individualizado, na mobilização territorial e no encaminhamento para oportunidades.
O projeto buscou estruturar uma forma de atuação capaz de reconhecer a complexidade da experiência juvenil. Para isso, adotou o Modelo de Atenção Integral, metodologia que partia do conhecimento da situação de vida de cada jovem, do mapeamento de seus interesses e da construção compartilhada de objetivos de curto, médio e longo prazos. A partir desse percurso, eram elaborados planos de autonomia e realizados encaminhamentos para ofertas de educação, qualificação profissional, trabalho, cultura, esporte, saúde e outros serviços, sempre com acompanhamento ao longo da trajetória.

Um dos diferenciais do Caminho Melhor Jovem foi deslocar o foco de abordagens mais restritas, concentradas apenas em escolarização ou inserção laboral, para uma perspectiva mais ampla sobre desenvolvimento dos jovens. O programa reconhecia que cada jovem vivencia essa etapa da vida de forma singular e que o fortalecimento de percursos depende de uma combinação de suportes afetivos, culturais, escolares, institucionais e territoriais.
Essa lógica se refletia também nos valores que orientavam a atuação do programa: diálogo, protagonismo e empoderamento juvenil, articulação e fortalecimento de redes, autonomia territorial, equidade e ética. Na prática, isso significava reconhecer os jovens como sujeitos ativos, capazes de formular projetos, avaliar suas próprias trajetórias e participar da construção de respostas mais aderentes às suas realidades. Também significava respeitar as dinâmicas locais e fortalecer conexões entre atores, serviços e oportunidades já existentes nos territórios.
A estrutura do programa foi organizada para lidar com essa complexidade. Havia instâncias de gestão estratégica, operacional e territorial, além de um sistema de monitoramento voltado ao acompanhamento de perfis, demandas, encaminhamentos e resultados. O atendimento incluía diagnóstico preliminar dos territórios, mobilização social contínua, atendimento personalizado, construção de mapas individualizados, prospecção de oportunidades e acompanhamento das trajetórias juvenis ao longo do tempo. Essa combinação de escuta, gestão e monitoramento foi central para consolidar uma metodologia orientada por evidências.
Outro aspecto importante foi a capacidade do Caminho Melhor Jovem de articular oportunidades para os participantes. O programa se relacionava com iniciativas ligadas à reinserção e permanência escolar, reforço escolar, qualificação profissional e inserção no trabalho, além de atividades culturais e esportivas e encaminhamentos para serviços diversos. Com isso, buscava ampliar o acesso a ofertas e contribuir para que essas oportunidades dialogassem com habilidades, interesses e projetos de vida dos jovens atendidos.
Ao longo de sua execução, o Caminho Melhor Jovem alcançou 9.444 jovens de forma direta e indireta, mobilizando aproximadamente 400 profissionais e estruturando sua atuação em 15 territórios do Rio de Janeiro: Complexo do Alemão, Penha, Maré, Manguinhos, Jacarezinho, Cidade de Deus, Borel e Formiga, Cantagalo, Rocinha, Mangueira, Mangueirinha, Chatuba, Fumacê, São João e São Carlos. Esses números ajudam a dimensionar a escala do programa e sua presença territorial em contextos marcados por desafios distintos.

No campo da educação, o programa articulou e previu frentes voltadas à alfabetização e à retomada dos percursos escolares. No âmbito do Programa Brasil Alfabetizado, foram previstas 111 turmas para 2.775 jovens ao longo do programa. Também foram estabelecidas metas de oferta distribuídas entre 2014, 2015 e 2016. Além disso, houve articulação com outras iniciativas educacionais, como a Nova EJA. Esses dados mostram o esforço do programa em estruturar estratégias educacionais em múltiplas frentes.
O Caminho Melhor Jovem buscou construir uma lógica de acompanhamento em que o jovem não fosse visto apenas como beneficiário de uma política, mas como sujeito de direitos, com trajetórias marcadas por contextos específicos, demandas diversas e diferentes formas de relação com o território. Esse entendimento orientou tanto a metodologia quanto a organização do programa, reforçando a necessidade de respostas públicas mais conectadas à realidade vivida pelos jovens.
Para a Quanta, essa experiência reafirma o valor de soluções que combinam escuta, método, monitoramento e compromisso com o desenvolvimento desses jovens, contribuindo para políticas públicas mais integradas, humanas e territorialmente conectadas