O Plano de Mobilidade Urbana de Palmas (PlanMob Palmas) foi desenvolvido como instrumento de planejamento para articular mobilidade, desenvolvimento urbano, uso do solo, sustentabilidade, segurança viária e participação social. O trabalho apoiou a Prefeitura Municipal na construção de diretrizes, políticas, programas, projetos e ações voltados à organização dos deslocamentos e à qualificação do sistema de mobilidade da capital tocantinense.

A elaboração foi organizada em quatro fases: Plano de Trabalho e Nivelamento Institucional, Diagnóstico, Prognóstico e Formulação e Aprovação do Plano de Mobilidade Urbana. Essa estrutura permitiu partir da leitura da cidade existente, compreender padrões de deslocamento e demandas da população, construir cenários futuros e formular propostas com metas, prazos, investimentos e mecanismos de monitoramento.

Foto: Prefeitura de Palmas

Mobilidade a partir da leitura do território

Uma das bases do PlanMob foi compreender como a estrutura urbana de Palmas influencia os deslocamentos. Para isso, o município foi dividido em 205 Zonas de Tráfego, agrupadas em 66 Regiões de Tráfego, permitindo relacionar população, renda, postos de trabalho, densidade, uso e ocupação do solo, atividades econômicas, equipamentos públicos e polos geradores de viagens.

Essa leitura territorial incorporou a localização de serviços de educação, saúde, esporte, lazer e cultura, além das centralidades urbanas e da distribuição das atividades econômicas. As informações foram georreferenciadas e organizadas em mapas temáticos, ampliando a compreensão das relações entre espaço urbano e circulação.

O trabalho identificou onde as viagens começam, para onde se dirigem, por quais motivos acontecem e como fatores como renda, idade, gênero e localização interferem nas escolhas de deslocamento. A análise aproximou mobilidade e planejamento urbano, evidenciando como a configuração da cidade interfere no acesso a trabalho, educação, saúde, comércio e serviços.

Foto: Prefeitura de Palmas

Dados para compreender como Palmas se desloca

O diagnóstico foi construído a partir de um conjunto amplo de pesquisas de campo.

A Pesquisa Origem e Destino Domiciliar realizou 5.646 entrevistas em 2.188 domicílios, distribuídos pelo território municipal. Os resultados permitiram estruturar a matriz de deslocamentos de Palmas e identificar modos utilizados, motivos das viagens, horários, origens e destinos e características socioeconômicas da população.

O trabalho reuniu pesquisas de origem e destino de cargas, contagens classificadas de veículos, levantamentos de ocupação e rotatividade de estacionamentos, pesquisa com trabalhadores do transporte coletivo e aplicação da metodologia QualiÔnibus.

Na avaliação do transporte coletivo, foram realizadas 500 entrevistas com usuários das 50 linhas municipais, considerando acessibilidade, horários, tempo de viagem, conforto, segurança, custo e satisfação com o sistema.

Esse conjunto de informações sustentou uma leitura integrada dos deslocamentos a pé, por bicicleta, transporte coletivo, táxi, mototáxi, transporte escolar, aplicativos, transporte de cargas e circulação viária.

Foto: Prefeitura de Palmas

Infraestrutura, acessibilidade e segurança viária

O diagnóstico incluiu o levantamento detalhado da infraestrutura disponível para os diferentes modos de deslocamento.

Foram inventariadas 50 vias do sistema viário principal, com análise de características físicas e funcionais, pavimentação, sinalização, ciclovias e ciclofaixas, travessias, redutores de velocidade, semáforos e condições de segurança.

As calçadas foram avaliadas quanto à largura, pavimentação, acessibilidade, presença de obstáculos, piso tátil e rampas. Os pontos de embarque e desembarque do transporte coletivo foram analisados em relação à conservação, iluminação, acesso, segurança e volume de usuários.

A segurança viária recebeu uma abordagem específica, baseada em dados de acidentes registrados entre 2014 e 2022, identificação dos pontos críticos e realização de vistorias técnicas. A avaliação considerou geometria viária, velocidades, pavimento, sinalização, iluminação, drenagem, travessias e condições para pedestres e ciclistas.

Três rotatórias passaram por microssimulação no software Aimsun Next, com avaliação da situação existente e de cenários futuros envolvendo semaforização e alterações geométricas.

Cenários para o futuro da mobilidade

Na etapa de prognóstico, o PlanMob utilizou modelagem computacional para avaliar como diferentes padrões de crescimento urbano poderiam repercutir sobre a mobilidade de Palmas.

A rede viária foi estruturada no TransCAD, utilizando dados da Pesquisa Origem e Destino e informações sobre capacidade, velocidade e funcionamento das principais vias.

Foram desenvolvidos três cenários:

  • Cenário Tendencial, baseado na continuidade das dinâmicas atuais de crescimento e distribuição das atividades;
  • Cenário Áreas Homogêneas, construído a partir de tendências de ocupação territorial e da capacidade de absorção de diferentes áreas da cidade;
  • Cenário de Adensamento DOT, orientado pelo conceito de Desenvolvimento Orientado pelo Transporte, com maior concentração de população e empregos nas proximidades de corredores de transporte coletivo e estações de integração.

As projeções foram desenvolvidas para os horizontes de 2025, 2029 e 2033, permitindo comparar alternativas e avaliar efeitos sobre congestionamento, saturação da rede, distâncias percorridas e tempo consumido nos deslocamentos.

O Cenário de Adensamento DOT foi adotado como referência para a formulação das propostas, articulando mobilidade e uso do solo e favorecendo uma estrutura urbana com maior proximidade entre atividades e sistemas de transporte coletivo.

Participação social ao longo do processo

A participação social esteve presente nas diferentes etapas de construção do PlanMob.

Foram realizadas 5 audiências públicas e 18 reuniões temáticas, abordando mobilidade e ordenamento territorial, saúde, educação, meio ambiente, transporte de cargas, mobilidade regional, desenvolvimento econômico, segurança viária, mobilidade ativa, transporte coletivo e áreas de grande demanda.

Os encontros contribuíram para incorporar percepções, necessidades e propostas de diferentes grupos sociais e instituições à leitura técnica da cidade.

As contribuições coletadas ao longo do processo subsidiaram o diagnóstico, a construção dos cenários e a formulação das políticas, programas, projetos e ações do Plano.

Seis eixos para orientar a mobilidade

A estratégia do PlanMob foi organizada em seis eixos de atuação.

  • Gestão da Mobilidade reúne propostas relacionadas à estrutura institucional, financiamento, sistemas de informação, educação e participação social.
  • Mobilidade, Espaço Urbano e Meio Ambiente articula uso do solo, acessibilidade, sustentabilidade, equidade e desenvolvimento urbano orientado pelo transporte.
  • Mobilidade Ativa contempla caminhabilidade, rede cicloviária, Zonas 30, rotas escolares seguras e ações voltadas à circulação de pedestres e ciclistas.
  • Mobilidade Coletiva reúne propostas para o sistema de ônibus, infraestrutura, corredores de transporte, integração e qualidade operacional.
  • Mobilidade Individual Motorizada aborda hierarquia viária, circulação calma, estacionamentos, rotatórias, segurança e organização dos fluxos.
  • Logística Urbana contempla circulação de cargas, estacionamento, regulamentação e organização das atividades logísticas.

As propostas foram classificadas em medidas estruturantes, comportamentais e regulatórias, combinando intervenções físicas, instrumentos de gestão e estratégias de mudança nos padrões de deslocamento.

Implementação, monitoramento e continuidade

O PlanMob foi estruturado com foco na implementação das propostas ao longo do tempo.

As ações foram hierarquizadas a partir de critérios de complexidade, importância e investimento necessário, com definição de horizontes de curto, médio e longo prazo.

Foi desenvolvido um sistema de acompanhamento baseado em 13 indicadores-chave de mobilidade, associados a metas, fontes de informação e parâmetros de referência.

O Plano propôs a criação de um Observatório da Mobilidade Urbana de Palmas, uma Câmara Técnica de Monitoramento e mecanismos periódicos de participação e avaliação.

Como parte da consolidação institucional, foram elaboradas 3 minutas de lei:

Plano de Mobilidade Urbana de Palmas
Lei de Calçadas
Lei de Polos Geradores de Viagens

A atuação da Quanta

A Quanta participou da elaboração do PlanMob Palmas por meio de uma atuação interdisciplinar envolvendo planejamento urbano, mobilidade, engenharia, meio ambiente, análise territorial, modelagem, participação social e estruturação de instrumentos de gestão.

Sua contribuição percorreu as etapas de diagnóstico, leitura territorial, análise dos sistemas de mobilidade, construção de cenários, formulação de propostas e definição de mecanismos de implementação e monitoramento.

O resultado é um instrumento capaz de relacionar dados, território, sistemas de transporte, políticas públicas e participação, oferecendo suporte técnico às decisões sobre investimentos e prioridades para a mobilidade de Palmas.

O PlanMob Palmas estabelece uma base técnica para orientar os deslocamentos em sintonia com o desenvolvimento urbano, ampliando a capacidade do município de planejar investimentos, acompanhar resultados e responder às mudanças do território.

FOTO: Prefeitura de Palmas.

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