O PROSAMIM IV ampliou a experiência acumulada pelo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus para uma nova etapa de planejamento e desenvolvimento de soluções urbanas e socioambientais, incorporando áreas de Manaus, Parintins, Iranduba, Itacoatiara e Coari. O trabalho partiu das experiências dos ciclos anteriores do PROSAMIM e estruturou estudos, alternativas e projetos voltados a territórios com diferentes condições de ocupação, infraestrutura, risco ambiental e relação com os cursos d’água.

A Quanta participou, em parceria consorciada, da elaboração de estudos e projetos executivos de obras de infraestrutura urbanística, em contrato desenvolvido entre 2020 e 2024 para a Unidade Gestora de Projetos Especiais do Governo do Estado do Amazonas. O escopo percorreu todo o processo de estruturação das soluções, desde o diagnóstico territorial e socioeconômico até os projetos básicos e executivos, reunindo urbanismo, habitação, saneamento, drenagem, resíduos sólidos, reassentamento, meio ambiente, viabilidade econômica, participação social e comunicação.

Um programa pensado a partir de diferentes realidades territoriais

Uma das características mais relevantes do PROSAMIM IV foi a ampliação territorial da abordagem construída em Manaus. Os estudos foram desenvolvidos em seis áreas de intervenção distribuídas por cinco municípios: duas em Manaus e outras em Parintins, Iranduba, Itacoatiara e Coari. Juntas, essas áreas somaram aproximadamente 837 hectares, exigindo que as soluções fossem formuladas a partir das especificidades ambientais, sociais e urbanas de cada localidade.

Em Manaus, a principal área de estudo estava localizada na Zona Leste, na Bacia do Igarapé do Quarenta, abrangendo Armando Mendes, Japiim, Coroado e Distrito Industrial I. Uma segunda área contemplou o bairro Educandos, às margens do Rio Negro. No interior, os trabalhos alcançaram áreas relacionadas à Lagoa da Francesa, em Parintins, além de setores urbanos de Iranduba, Itacoatiara e Coari, incluindo territórios associados a igarapés, lagos e áreas sujeitas a variações sazonais das águas.

Essa abrangência exigiu uma leitura que reconhecesse as diferenças entre capital e interior e, ao mesmo tempo, identificasse questões comuns: acesso ao saneamento, ocorrência de alagamentos, ocupação de áreas ambientalmente sensíveis, necessidade de habitação adequada, fragilidades de infraestrutura e qualificação dos espaços urbanos.

Diagnóstico como base para as decisões

A estrutura do trabalho foi organizada em 15 grandes produtos, começando pelo plano de trabalho e avançando por estudos de concepção, viabilidade econômica e financeira, cadastro físico-territorial e socioeconômico, consultas públicas, planos de reassentamento, sustentabilidade socioambiental, comunicação, diagnóstico ambiental, topografia, geotecnia e desenvolvimento dos projetos de engenharia.

Para cada área, o processo partiu da identificação das condições existentes e da construção de alternativas técnicas. Os estudos de concepção avaliavam diferentes possibilidades de intervenção considerando viabilidade técnica, econômica, social e ambiental, permitindo comparar soluções antes da consolidação das propostas.

Na área Manaus I, por exemplo, foram analisados cerca de 324,66 hectares, com aproximadamente 9.088 habitantes identificados em áreas de risco. As propostas urbanísticas consideraram novas vias, recuperação viária, ciclovias, estruturas especiais, áreas habitacionais, equipamentos públicos e recuperação ambiental, articulando ordenamento territorial às necessidades existentes no entorno do Igarapé do Quarenta.

 

Habitação e reassentamento conectados ao tecido urbano

A dimensão habitacional foi construída a partir do levantamento das condições reais de moradia e das características socioeconômicas das famílias. O trabalho incluiu cadastro físico-territorial, identificação e selagem de imóveis, pesquisas socioeconômicas e planejamento de reassentamento, formando uma base de informações para definir as soluções habitacionais e territoriais do programa.

Em Manaus, foram identificadas 4.413 unidades físicas em uma das áreas cadastradas, com aplicação de 3.139 questionários domiciliares e selagem de 3.525 imóveis. Esses dados permitiram compreender permanência no território, características das edificações, composição familiar e condições de vulnerabilidade, apoiando a formulação das estratégias de reassentamento e regularização.

Os estudos habitacionais trabalharam com diferentes alternativas construtivas e formas de implantação. Para Manaus I, uma das concepções considerou 648 unidades habitacionais, distribuídas em blocos multifamiliares e conectadas a redes de água, esgoto, drenagem, iluminação, pavimentação, arborização, sinalização e mobiliário urbano.

A lógica adotada buscou aproximar as soluções habitacionais do próprio território, reduzindo rupturas nas relações cotidianas e articulando moradia, infraestrutura e acesso à cidade.

Água, saneamento e resiliência urbana

O manejo das águas permaneceu como um dos eixos estruturantes desta etapa do programa. Os estudos de drenagem consideraram pontos críticos de alagamento, funcionamento das redes existentes, uso do solo, interferências hidráulicas e comportamento das bacias, apoiados por modelagens hidrológicas e hidráulicas.

Na Bacia do Igarapé do Quarenta, foram identificados 12 pontos críticos de escoamento, associados a bueiros, galerias e pontes. Para a formulação das alternativas de macrodrenagem, a área foi organizada em 15 sub-bacias, relacionadas aos igarapés do Zumbi, Mauá e Quarenta, permitindo dimensionar canais e estruturas com base nas características hidráulicas de cada trecho.

O saneamento foi tratado de maneira integrada. Em Manaus I, os estudos de esgotamento sanitário consideraram um horizonte de planejamento até 2040, estruturando seis sub-bacias e aproximadamente 60,2 km de redes para atender uma população projetada de 36.851 habitantes, além de estações elevatórias, interceptores, linhas de recalque e ligações domiciliares. Para o abastecimento de água, foram estudadas novas redes destinadas às áreas ainda não atendidas, articuladas aos sistemas existentes.

Resíduos sólidos e sustentabilidade ambiental

O PROSAMIM IV incorporou uma abordagem ampla para os resíduos sólidos, especialmente nos municípios do interior. Os estudos avaliaram geração, coleta, transporte e destinação, incluindo alternativas para aterros sanitários, tratamento mecânico-biológico e outras tecnologias, além de estratégias de encerramento de áreas de disposição inadequada.

Em Parintins, por exemplo, foram analisadas diferentes soluções para destinação dos resíduos, considerando infraestrutura necessária, tratamento de lixiviados, biogás, triagem e recuperação de materiais. A avaliação buscou compatibilizar desempenho ambiental, viabilidade operacional e condições territoriais do município.

Essa frente se conectou ao Plano de Sustentabilidade Socioambiental, aos diagnósticos ambientais e aos estudos de recuperação das áreas afetadas, incorporando proteção dos recursos hídricos, recuperação de margens, regeneração da vegetação e uso de espécies locais nos projetos paisagísticos.

Participação social no desenvolvimento das soluções

A participação das comunidades integrou a própria metodologia do programa. As consultas públicas foram estruturadas como espaços de escuta e validação das alternativas, permitindo incorporar percepções e prioridades da população às decisões urbanísticas, habitacionais e socioambientais.

Essa participação esteve conectada aos cadastros socioeconômicos, aos planos de reassentamento e ao plano de comunicação, formando uma base para acompanhar as famílias e organizar o diálogo ao longo das etapas de planejamento. O processo reconheceu que projetos dessa escala precisam considerar as formas de viver, circular, trabalhar e se relacionar com as águas em cada território.

Tecnologia, integração e desenvolvimento dos projetos

A elaboração dos estudos e projetos incorporou BIM, PMBOK e referências da FIDIC, além das políticas ambientais e sociais do Banco Interamericano de Desenvolvimento. O uso dessas metodologias apoiou a integração entre disciplinas, rastreabilidade das decisões e compatibilização das soluções ao longo das diferentes etapas.

O trabalho percorreu uma sequência que foi do diagnóstico aos projetos executivos e à documentação técnica necessária para implantação das obras. Engenharia, arquitetura, urbanismo, meio ambiente, economia e área social participaram de um processo interdisciplinar, permitindo que as propostas fossem avaliadas a partir de diferentes dimensões antes de sua consolidação.

A atuação da Quanta

No PROSAMIM IV, a Quanta participou da concepção e desenvolvimento de estudos, planos e projetos, apoiando a estruturação de uma nova etapa do programa a partir da experiência acumulada em ciclos anteriores.

Sua atuação reuniu planejamento urbano, drenagem, saneamento, habitação, reassentamento, resíduos sólidos, meio ambiente, estudos econômicos, arquitetura, participação social e tecnologia, conectando diagnóstico territorial à formulação de alternativas e ao detalhamento das soluções de engenharia.

Essa abrangência permitiu trabalhar simultaneamente diferentes escalas: a residência e sua relação com a infraestrutura; o bairro e suas redes; as bacias hidrográficas; e a articulação de políticas urbanas capazes de orientar intervenções futuras.

Relevância Estratégica

O PROSAMIM IV marca uma etapa de ampliação territorial e metodológica da experiência construída pelo programa no Amazonas. Ao alcançar Manaus e municípios do interior, o projeto levou a lógica de integração entre saneamento, drenagem, habitação, meio ambiente, urbanização e participação social para realidades distintas, respeitando as características de cada território.

Para a Quanta, essa etapa consolidou uma trajetória que passou da gestão e supervisão das obras dos primeiros ciclos para uma participação estratégica na concepção das futuras intervenções, utilizando estudos territoriais, ambientais, sociais e econômicos para orientar projetos aplicáveis e sustentáveis.

O PROSAMIM IV evidencia uma atuação interdisciplinar que transforma conhecimento acumulado em novas soluções para os territórios amazônicos, conectando água, cidade, comunidades e infraestrutura a partir das especificidades de cada lugar.

 

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