Iniciado em 2002, o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus – PROSAMIM I foi estruturado para enfrentar de forma integrada desafios urbanos, ambientais e sociais relacionados às áreas dos igarapés da capital amazonense. Sua abordagem reuniu recuperação ambiental, macrodrenagem e microdrenagem, saneamento, habitação, reassentamento, sistema viário, urbanização e fortalecimento institucional, considerando as relações existentes entre os cursos d’água, a ocupação urbana, a infraestrutura e as condições de vida da população.

Foto: Reprodução

A Quanta passou a integrar essa trajetória em 2006, atuando no gerenciamento do Programa e na supervisão das obras de recuperação ambiental e requalificação urbanística. O trabalho contemplou intervenções na Bacia do Quarenta e nos igarapés Manaus, Bittencourt e Mestre Chico, além do acompanhamento de obras complementares e remanescentes do PROSAMIM I em etapas posteriores. Essa continuidade permitiu acompanhar diferentes momentos de implantação e contribuir para a articulação entre planejamento, execução das obras, controle físico-financeiro, gestão ambiental, habitação e relacionamento com as áreas atendidas.

Água, drenagem e recuperação dos igarapés

Os igarapés fazem parte da estrutura ambiental de Manaus e exercem papel determinante na dinâmica das águas e na configuração da ocupação urbana. No PROSAMIM I, as intervenções foram desenvolvidas em áreas onde drenagem, moradia, circulação e infraestrutura estavam diretamente relacionadas, exigindo soluções capazes de responder às condições hidráulicas das bacias e às características dos bairros existentes.

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As obras envolveram recuperação e adequação de canais, implantação de galerias e coletores pluviais, microdrenagem, proteção de margens e recuperação de áreas inundáveis. Em uma das principais frentes acompanhadas, foram executados aproximadamente 1,62 km de canais a céu aberto, 2,36 km de galerias de concreto armado e cerca de 6,06 km de microdrenagem. As soluções de drenagem foram articuladas à implantação de vias, saneamento, urbanização e novos espaços públicos, permitindo tratar as intervenções hídricas dentro de uma leitura mais ampla do território.

O programa incorporou ainda ações de desassoreamento, recuperação de áreas degradadas e reorganização das margens dos igarapés, associando a melhoria do funcionamento hidráulico à qualificação ambiental das áreas urbanas. Cerca de 96,3 mil m² de áreas degradadas próximas aos igarapés Manaus, Bittencourt e Mestre Chico estiveram inseridas nesse processo de recuperação.

Habitação, reassentamento e novas relações com o território

A intervenção nos igarapés esteve diretamente relacionada à dimensão habitacional. O reassentamento das famílias inseridas nas áreas de intervenção exigiu uma atuação que conectasse moradia, infraestrutura urbana e acompanhamento social, considerando as mudanças produzidas pela implantação das obras e a necessidade de acesso aos serviços urbanos nos novos locais de residência.

Entre os conjuntos habitacionais acompanhados estavam o Parque Residencial Manaus, com 819 unidades, o Parque Residencial Professor Carpinteiro Peres, com 150 unidades, e o Parque Residencial Professor Gilberto Mestrinho, com 292 unidades, totalizando 1.261 unidades habitacionais. O conjunto das intervenções envolveu ainda o remanejamento de 2.823 famílias, demonstrando a escala social do programa e a importância de articular as decisões de engenharia aos processos de reassentamento e reorganização urbana.

As novas áreas residenciais foram associadas a sistemas de drenagem, abastecimento de água, esgotamento sanitário, energia elétrica, circulação e espaços de convivência. Essa articulação buscou assegurar que a implantação das moradias estivesse conectada às condições necessárias para sua integração à cidade e ao cotidiano das famílias.

Saneamento e infraestrutura urbana

A ampliação da infraestrutura sanitária constituiu uma frente essencial do PROSAMIM I. As intervenções incluíram sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, com redes coletoras, interceptores, linhas de recalque, estações elevatórias e estruturas destinadas ao atendimento das áreas residenciais e dos bairros contemplados pelo programa.

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Uma das frentes de saneamento envolveu aproximadamente 52 km de redes coletoras de esgoto, associadas a interceptores, linhas de recalque e 7 estações elevatórias. As intervenções sanitárias foram desenvolvidas em conexão com drenagem, habitação e urbanização, contribuindo para estruturar soluções capazes de responder conjuntamente às condições ambientais e de infraestrutura das áreas atendidas.

A integração desses sistemas foi especialmente relevante em territórios onde a ocupação das margens e a insuficiência da infraestrutura existente afetavam diretamente os cursos d’água. Nesse contexto, a implantação do saneamento assumiu papel estratégico na recuperação ambiental dos igarapés e na qualificação urbana de seu entorno.

Urbanização, espaços públicos e mobilidade

A recuperação das áreas de intervenção abriu espaço para uma nova configuração de parques, vias e áreas de uso coletivo. O PROSAMIM I contemplou aproximadamente 182,9 mil m² de urbanização, reunindo paisagismo, calçadas, iluminação, equipamentos esportivos, áreas de recreação infantil, passarelas, mobiliário urbano e estruturas destinadas à convivência e à circulação.

Entre as áreas acompanhadas estavam os parques Manaus, Bittencourt, Jefferson Peres e Gilberto Mestrinho, inseridos no processo de recuperação das áreas próximas aos igarapés. A transformação desses espaços contribuiu para estabelecer novas relações entre os bairros e suas áreas públicas, associando recuperação ambiental, acessibilidade e uso cotidiano.

As intervenções viárias seguiram a mesma lógica de integração. Em uma das frentes supervisionadas, foram executados cerca de 4,43 km de sistema viário, com obras de pavimentação, drenagem, calçadas, sinalização e estruturas de circulação. A atuação incluiu ainda a supervisão da recuperação estrutural e arquitetônica da Ponte Benjamin Constant, infraestrutura histórica de Manaus que desempenha função relevante na conexão entre diferentes áreas da cidade.

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Gerenciamento de um programa multissetorial

A participação da Quanta no PROSAMIM I alcançou uma dimensão que ultrapassava o acompanhamento de obras isoladas. O gerenciamento envolveu planejamento e programação do Programa, controle físico-financeiro, acompanhamento contratual, análise de projetos básicos e executivos, apoio aos processos de contratação, monitoramento de indicadores e suporte técnico à unidade gestora, articulando diferentes contratos e especialidades dentro de uma mesma estratégia de implantação.

A equipe acompanhou projetos e obras de macrodrenagem, microdrenagem, habitação, infraestrutura habitacional, sistema viário, saneamento, parques urbanos, redes elétricas, estruturas especiais e recuperação ambiental. O trabalho incorporou ainda sistemas de informações gerenciais e instrumentos de monitoramento capazes de apoiar decisões relacionadas a prazos, recursos, execução e desempenho do Programa.

Essa atuação exigiu uma visão integrada das interfaces entre as diferentes frentes. Alterações em sistemas de drenagem repercutiam sobre vias e áreas urbanizadas; intervenções viárias precisavam ser compatibilizadas com redes de saneamento; processos de reassentamento mantinham relação direta com o avanço das obras. O gerenciamento tornou-se, assim, um elemento fundamental para coordenar essas interdependências e apoiar a continuidade das intervenções.

Participação social, comunicação e fortalecimento institucional

A dimensão social fez parte da própria estrutura do PROSAMIM I. O programa incorporou ações de participação comunitária, comunicação social e educação ambiental e sanitária, buscando manter diálogo com a população envolvida e apoiar os processos relacionados às mudanças promovidas pelas intervenções.

A Quanta participou do suporte a essas frentes e do fortalecimento da capacidade institucional necessária à implantação do Programa. As atividades envolveram organização de procedimentos, produção de relatórios, acompanhamento de contratos, apoio técnico-administrativo e interlocução com os diferentes agentes envolvidos na execução e no financiamento das ações.

Essa integração entre gestão, engenharia e dimensão social foi especialmente relevante diante da escala dos reassentamentos e da presença das obras em áreas urbanas consolidadas, onde as decisões técnicas precisavam considerar as relações existentes entre pessoas, moradias, serviços, espaços públicos e cursos d’água.

A atuação da Quanta

No PROSAMIM I, a Quanta atuou em gerenciamento, supervisão de obras, planejamento, controle físico-financeiro, análise de projetos, acompanhamento ambiental e suporte institucional, reunindo diferentes especialidades para responder à complexidade das intervenções.

A experiência construída desde 2006 permitiu acompanhar o programa em diferentes frentes e momentos, incluindo posteriormente a supervisão de obras complementares e remanescentes de recuperação ambiental, requalificação urbanística e saneamento nas sub-bacias dos igarapés Manaus, Bittencourt e Mestre Chico.

Essa continuidade fortaleceu o conhecimento técnico sobre as características hídricas, urbanas, ambientais e sociais de Manaus e ampliou a capacidade de integrar decisões de planejamento às condições encontradas durante a implantação das obras.

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Relevância Estratégica

O PROSAMIM I representa uma experiência relevante de planejamento e intervenção integrada em um território marcado pela presença estruturante das águas. A combinação entre recuperação dos igarapés, saneamento, habitação, reassentamento, mobilidade, urbanização e espaços públicos evidencia a necessidade de compreender cada sistema como parte de uma dinâmica territorial mais ampla.

Para a Quanta, o projeto consolidou uma experiência de atuação em programas urbanos multissetoriais de grande escala, nos quais gerenciamento, engenharia, meio ambiente e dimensão social precisam operar de forma coordenada. A continuidade do trabalho em Manaus permitiu construir conhecimento sobre o território e acompanhar seus processos de desenvolvimento em diferentes etapas.

Essa trajetória traduz uma atuação interdisciplinar que conecta água, infraestrutura, moradia, espaços urbanos e comunidades, articulando conhecimento técnico e gestão para responder às particularidades ambientais e sociais de Manaus.

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