O PROSAMIM III — Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus deu continuidade ao processo de recuperação ambiental e urbana desenvolvido na capital amazonense, desta vez com foco nas áreas situadas às margens do Igarapé São Raimundo, no trecho entre a Ponte Senador Fábio Lucena e o Parque Kako Caminha. A proposta reuniu soluções de drenagem, saneamento, habitação, urbanização, energia e recuperação ambiental, considerando um território marcado pela relação direta entre os cursos d’água, a ocupação urbana e a dinâmica do Rio Negro.

A Quanta participou da supervisão e fiscalização das obras, acompanhando a implantação de diferentes sistemas que precisavam funcionar de forma articulada. O trabalho envolveu engenharia, recursos hídricos, saneamento, arquitetura, urbanismo, meio ambiente, planejamento e controle, em uma atuação que exigia leitura permanente das condições encontradas em campo e das relações entre cada frente de obra.

A complexidade do PROSAMIM III estava justamente nessa integração. Drenagem, habitação, redes sanitárias, urbanização e infraestrutura elétrica não eram soluções independentes: cada decisão precisava considerar seus efeitos sobre os demais sistemas e sobre os espaços já ocupados da cidade.

São Raimundo: um território estruturado pelas águas

A Bacia do São Raimundo ocupa uma posição importante na estrutura hídrica de Manaus e apresenta uma relação direta com o regime do Rio Negro. Nas áreas contempladas pelo programa, o comportamento das águas, a ocupação das margens e a infraestrutura existente condicionavam as soluções de engenharia e urbanização.

As obras de drenagem incluíram aproximadamente 752,6 metros de galerias de macrodrenagem, especialmente relacionadas aos igarapés Belchior e Cacimbas, além de cerca de 3,18 km de microdrenagem implantados ao longo de vias e áreas urbanizadas. Essas estruturas foram desenvolvidas em conexão com redes sanitárias, espaços públicos e demais sistemas implantados no território.

A reorganização do sistema hídrico contribuiu para criar novas condições de ocupação e uso das áreas próximas aos igarapés, integrando infraestrutura à recuperação urbana e ambiental. A água, nesse contexto, orientou uma parte central das decisões do projeto e da forma como as diferentes frentes foram organizadas.

Habitação, saneamento e reorganização urbana

A dimensão habitacional esteve diretamente relacionada às mudanças promovidas nas áreas de intervenção. O PROSAMIM III contemplou a implantação de 396 unidades habitacionais distribuídas em 42 blocos, vinculadas aos processos de reassentamento das famílias inseridas nas áreas afetadas pelas obras.

A implantação dessas moradias esteve conectada à oferta de infraestrutura urbana e às novas configurações dos espaços públicos. Redes de água e esgotamento sanitário, drenagem, energia e circulação precisaram ser compatibilizadas com os conjuntos residenciais e com os bairros existentes, reforçando a necessidade de uma abordagem técnica integrada.

O saneamento assumiu uma escala significativa nesse processo. As frentes do contrato contemplaram aproximadamente 162 km associados às redes de água e esgoto, além de estações elevatórias e estruturas necessárias ao funcionamento dos sistemas. Essa infraestrutura contribuiu para ampliar a capacidade de atendimento das áreas contempladas e para reduzir impactos sobre os cursos d’água.

Urbanização e novas relações com a orla

As intervenções urbanísticas ampliaram a relação entre os espaços recuperados e o cotidiano da cidade. Entre as principais frentes está a urbanização da Orla do Rio Negro, com aproximadamente 36,6 mil m², reunindo infraestrutura, circulação, tratamento paisagístico e espaços destinados ao uso coletivo.

Esse conjunto de ações contribuiu para requalificar áreas próximas às águas e estabelecer novas conexões entre bairros, espaços públicos e a paisagem urbana. A implantação de aproximadamente 25,3 km de redes elétricas de alta e baixa tensão integrou esse processo, garantindo suporte às áreas residenciais e aos novos espaços urbanizados.

A qualificação desses territórios evidencia uma lógica em que infraestrutura e espaço público são pensados em conjunto. As áreas recuperadas passaram a incorporar novas possibilidades de circulação, permanência e convivência, ampliando a presença do espaço coletivo no processo de reorganização urbana.

Meio ambiente, memória e acompanhamento das obras

A recuperação ambiental acompanhou o desenvolvimento das diferentes frentes do PROSAMIM III. O trabalho considerou medidas de proteção, acompanhamento de áreas impactadas e recuperação dos espaços afetados pelas obras, articulando as exigências ambientais ao processo de implantação.

O projeto incorporou ainda ações relacionadas ao patrimônio arqueológico, incluindo prospecção, acompanhamento e resgate em áreas diretamente afetadas. Essa dimensão acrescentou ao projeto uma leitura sobre a história de ocupação do território, reconhecendo que as obras atravessavam espaços que carregavam referências materiais e culturais da cidade.

A supervisão exercida pela Quanta acompanhou essas diferentes frentes de forma articulada. As atividades envolveram análise de projetos, medições, controle tecnológico, acompanhamento físico-financeiro, segurança do trabalho, controle ambiental e verificação da qualidade dos serviços, apoiando a tomada de decisão ao longo da implantação.

A atuação da Quanta

No PROSAMIM III, a Quanta participou da supervisão e fiscalização das obras de recuperação ambiental, urbanística e habitacional, acompanhando uma frente marcada pela diversidade de sistemas e pela necessidade de coordenação entre diferentes especialidades.

A experiência acumulada nos ciclos anteriores do programa contribuiu para ampliar a compreensão sobre as bacias hidrográficas, a estrutura urbana e as especificidades ambientais de Manaus. Essa continuidade permitiu integrar conhecimento técnico e leitura territorial, apoiando soluções relacionadas a drenagem, saneamento, habitação, energia e urbanização.

Relevância Estratégica

O PROSAMIM III representa uma etapa importante da recuperação da Bacia do São Raimundo e da relação entre Manaus e seus cursos d’água. A combinação entre 396 unidades habitacionais, cerca de 162 km associados às redes de água e esgoto, 36,6 mil m² de urbanização da Orla do Rio Negro, 25,3 km de redes elétricas e sistemas de macro e microdrenagem demonstra a escala e a diversidade de uma intervenção que precisou articular diferentes dimensões do território.

Para a Quanta, o projeto consolidou uma trajetória de atuação em programas urbanos de alta complexidade, nos quais recursos hídricos, infraestrutura, meio ambiente, habitação e espaços públicos precisam ser compreendidos de forma integrada. A experiência no PROSAMIM III reforça uma prática interdisciplinar construída a partir do território, conectando conhecimento técnico, acompanhamento da implantação e desenvolvimento urbano em uma cidade profundamente marcada pela presença das águas.

 

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