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Engenharia Ambiental como prática ampliada: a experiência de Luiz Fernandes no Complexo Hidrossocial Barragem Oiticica

Engenharia Ambiental como prática ampliada: a experiência de Luiz Fernandes no Complexo Hidrossocial Barragem Oiticica
Publicado em
30 janeiro 2026

Por Quanta Consultoria | Comunicação Quanta

Janeiro marca o Dia do Engenheiro e da Engenheira Ambiental. Para esta edição do blog, a Quanta ouviu Luiz Fernandes, engenheiro ambiental da equipe técnica que atua no Complexo Hidrossocial Barragem Oiticica, no Rio Grande do Norte — projeto executado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), com apoio de instituições como PGE, IGARN, IDEMA, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e outras instâncias federais, como DNOCS, MIRD e ANA. A Quanta é responsável pela coordenação técnica do empreendimento, com equipes multidisciplinares nas áreas de engenharia, meio ambiente, urbanismo e desenvolvimento social.

Desde 2017, Luiz Fernandes acompanha as ações ambientais do complexo, em um dos contextos mais desafiadores do país em termos de articulação entre território, patrimônio, infraestrutura e recursos hídricos. O projeto envolve a construção de uma barragem de grande porte, a condução de processos de reassentamento rural e urbano e a implementação de planos ambientais de alta complexidade.

Formação no semiárido, atuação em múltiplas escalas

Formado na primeira turma de Engenharia Ambiental do Rio Grande do Norte, Luiz traz experiência acumulada em órgãos como IDEMA e SEMARH, tendo atuado em programas como o Projeto Orla, Água para Todos e Água Doce. Essa trajetória contribui para uma abordagem que combina rigor técnico, leitura territorial e sensibilidade social.

“Ao chegar a uma comunidade castigada pela seca e sem acesso à água, onde a realidade é marcada pela escassez e pela incerteza, e ao deixar o local com sistemas de abastecimento funcionando, algo essencial se transforma. Essa mudança vai além da infraestrutura: altera toda a lógica local, impactando a rotina, a saúde e as perspectivas de futuro da comunidade.”

Oiticica: território, memória e infraestrutura

O Complexo Hidrossocial Barragem Oiticica além de uma obra de engenharia é também um território em transformação. A Quanta atua na coordenação técnica de ações que vão desde o planejamento executivo até a articulação institucional, com foco em sustentabilidade e participação. Na frente ambiental, destacam-se o resgate e o monitoramento de fauna, a supressão vegetal e a proteção de sítios arqueológicos. Entre 2021 e 2025, mais de 3.000 animais foram resgatados de áreas que seriam inundadas, com protocolos específicos para diferentes fases do enchimento da barragem.

Além disso, o projeto se tornou referência em arqueologia preventiva. Em parceria com empresa especializada e sobsupervisão do IPHAN, foram identificados mais de 150 sítios arqueológicos, incluindo o Enclave Pedra Ferrada, que reúne um dos maiores conjuntos de gravuras rupestres já mapeados no semiárido. Técnicas de datação inéditas no país foram aplicadas a partir de cooperação com pesquisadores nacionais e internacionais.

 

“A arqueologia não está à margem do meio ambiente, ela é parte dele. Precisamos compreender o território em todas as suas camadas.”

A complexidade de Oiticica exige uma articulação constante entre áreas técnicas. A cada etapa do projeto, as decisões são embasadas por estudos ambientais, diagnósticos sociais, escuta comunitária e articulação com órgãos de controle. Luiz destaca que o conhecimento técnico precisa estar aliado à compreensão do contexto local:

“A engenharia ambiental precisa ser feita com os pés no território. Não é só calcular impactos, é entender o que está em jogo para cada comunidade, cada rio, cada traço da paisagem.”

Reassentamento e escuta qualificada

Um dos grandes desafios do projeto é o reassentamento das populações atingidas pela barragem. A Quanta atua no apoio técnico à reestruturação urbana e produtiva dessas comunidades, com ações que envolvem planejamento urbano, habitação, mobilidade e infraestrutura social. O diálogo com as famílias reassentadas e a construção coletiva de soluções são centrais nesse processo.

“Não se trata apenas de mudar de lugar, mas de reconstruir vínculos, modos de vida e perspectivas de futuro.”

Nova Barra de Santana – 2025

PACUERA: planejamento para o futuro do entorno

Outro eixo estratégico é a construção do PACUERA — Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório Artificial. Previsto por lei federal, o PACUERA orienta os usos e ocupações do solo no entorno da barragem. Seu objetivo é garantir a gestão integrada da área alagada e das faixas marginais, conciliando preservação ambiental, atividades econômicas, segurança hídrica e qualidade de vida para as populações locais.

“O PACUERA sistematiza o que os órgãos públicos e as comunidades esperam do território. Ele dá forma à gestão futura do entorno.”

Como primeiro plano do tipo à ser implantado no estado do RN, o PACUERA de Oiticica tem sido elaborado com ampla escuta pública e articulação entre diversos entes federativos e locais. A Quanta conduz esse processo de forma interdisciplinar, com base em metodologias participativas e dados técnicos integrados. O plano incorpora diretrizes para o uso sustentável da terra, controle de ocupações, recuperação de áreas degradadas e promoção de atividades econômicas compatíveis com a conservação.

“O PACUERA nasce do escutatório. Ele traduz o que as comunidades e os órgãos públicos esperam desse território.”

Evento Participativo Pacuera

Engenharia com leitura territorial

Para Luiz, a engenharia ambiental não pode se limitar à mitigação de impactos: ela precisa propor caminhos sustentáveis a partir da realidade de cada território.

“Não dá para dissociar projeto e território. A técnica tem que dialogar com as condições locais para ser viável e relevante.”

Sua experiência evidencia como a engenharia ambiental opera em camadas interdependentes: da geologia à história, do licenciamento à escuta social. É essa capacidade de articulação que fortalece o papel estratégico da Quanta na execução de projetos com múltiplas frentes e interfaces.

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