O Programa Minha Casa + Bonita segue impulsionando as melhorias habitacionais na comunidade do Risca-Faca, em Maricá (RJ), por meio de metodologias de participação que aproximam moradores, equipe técnica e poder público. Nesse percurso, o Café com Reforma Urbana se perfaz como espaços de conversa sobre habitação e dignidade, cidade e políticas públicas, valorizando as experiências de quem vive na comunidade e reconhecendo seus saberes como parte da leitura do lugar.
Os encontros integram o trabalho social do programa e utilizam a reforma de banheiros e fachadas como oportunidade para discutir temas que atravessam o cotidiano das famílias, como cidadania, direito à cidade, acesso às políticas públicas, dignidade e bem viver.
Organizado em um ciclo de três encontros, o Café com Reforma Urbana articula educação urbana popular, mapeamento afetivo, escuta comunitária e orientação prática sobre direitos. A metodologia parte do princípio de que os moradores conhecem profundamente a comunidade do Risca-Faca, em Maricá, e que suas experiências ajudam a compreender demandas, potencialidades e caminhos para a melhoria da vida local.
Ao longo desse processo, as intervenções habitacionais passam a dialogar com as rotinas, os vínculos de vizinhança e as formas de viver na comunidade. O trabalho social também amplia o acesso à informação, favorece a compreensão das etapas do programa e incentiva a presença ativa dos moradores ao longo das ações.

Dois encontros já realizados
Os dois primeiros encontros do Café com Reforma Urbana foram realizados nos dias 30 de maio e 20 de junho, reunindo moradores, equipe técnica e representantes envolvidos na execução do Programa Minha Casa + Bonita. Os momentos foram marcados por acolhimento, diálogo e participação ativa da comunidade. E já temos data do próximo encontro que será no dia 25/07 às 10h, e em breve traremos divulgação sobre o local.
A proposta do ciclo é simples e potente: criar um ambiente de confiança para que os moradores possam falar sobre suas casas, ruas, trajetos, serviços públicos, dificuldades urbanas, memórias afetivas e desejos de transformação para o território. Nesse processo, o café comunitário não aparece apenas como apoio logístico, mas como estratégia de aproximação, cuidado e escuta.
Comer junto, conversar e circular a palavra são dimensões importantes para fortalecer os vínculos comunitários e ampliar a compreensão sobre o programa. A partir dessa metodologia, o trabalho social contribui para que cada família se reconheça como parte ativa da política pública, e não apenas como beneficiária de uma intervenção.

Primeiro encontro: moradia como direito
O primeiro encontro, realizado em 30 de maio, teve como tema “Moradia é Direito: território, cidadania e reconhecimento”. A atividade convidou os participantes a refletirem sobre a diferença entre favor, benefício e direito, aproximando o debate sobre moradia digna das experiências concretas vividas no cotidiano.
A conversa abordou temas como saúde, segurança, saneamento, educação, mobilidade, infraestrutura urbana e direito à cidade. A partir de exemplos próximos da realidade dos moradores, o encontro reforçou que uma moradia digna envolve mais do que a estrutura física da casa: envolve também acesso a serviços, condições adequadas de permanência no território, segurança, bem-estar e qualidade de vida.

Durante a atividade, também foi realizado um mapeamento afetivo do território. Os moradores identificaram suas casas, trajetos diários, pontos de referência, áreas de encontro, dificuldades de deslocamento, barreiras urbanas, espaços de cuidado, pontos de risco e lugares de pertencimento. Esse exercício permitiu construir uma leitura coletiva do Risca-Faca a partir do olhar de quem vive o território todos os dias.
O mapeamento afetivo fortaleceu uma dimensão essencial do trabalho social: reconhecer que os moradores são especialistas do próprio território. Suas percepções ajudam a revelar demandas, potencialidades e prioridades que nem sempre aparecem em diagnósticos puramente técnicos.

Segundo encontro: o Risca-Faca dos Sonhos
O segundo encontro, realizado em 20 de junho, teve como tema “Risca-Faca dos Sonhos”. A atividade deu continuidade às reflexões do primeiro momento, mas com uma abordagem mais lúdica, visual e propositiva.
A partir das percepções levantadas no mapeamento afetivo, os moradores foram convidados a imaginar coletivamente o território que desejam construir. Por meio de desenhos, colagens, conversas em grupo e representações visuais, os participantes expressaram suas expectativas para um Risca-Faca com ruas mais seguras, acessíveis, iluminadas, arborizadas e integradas aos serviços públicos e espaços de convivência.
A dinâmica permitiu transformar demandas em imagens de futuro. Ao representar o território desejado, os moradores puderam apontar não apenas problemas, mas também caminhos possíveis para a melhoria da vida comunitária. Esse exercício fortalece a participação social ao estimular que a população se veja como parte da construção das soluções.
O “Risca-Faca dos Sonhos” também reforçou a importância da imaginação coletiva como ferramenta de planejamento social. Ao reunir diferentes olhares sobre o território, a atividade contribuiu para ampliar a escuta, valorizar memórias locais e fortalecer o sentimento de pertencimento.

Trabalho social como parte da melhoria habitacional
O Café com Reforma Urbana evidencia que a melhoria habitacional não se encerra na execução da obra. A reforma da casa é uma intervenção concreta, mas também pode ser uma porta de entrada para processos de formação cidadã, orientação social e fortalecimento comunitário.
No âmbito do Programa Minha Casa + Bonita, o trabalho socialtem o papel de acompanhar as famílias, ampliar o acesso à informação, apoiar a compreensão das etapas do programa e criar canais de diálogo entre moradores, equipe técnica e poder público.
Essa atuação contribui para dar mais transparência ao processo, reduzir dúvidas, acolher percepções da comunidade e fortalecer a corresponsabilidade. Ao mesmo tempo, permite que as intervenções físicas estejam conectadas às dinâmicas sociais do território, considerando as necessidades das famílias e a complexidade da vida urbana.
A metodologia adotada valoriza princípios como educação popular, escuta ativa, participação comunitária e valorização dos saberes locais. Em vez de uma comunicação unilateral, o processo busca construir conhecimento de forma compartilhada, em linguagem acessível e com metodologias participativas.

Próximo encontro: caminhos de acesso às políticas públicas
O ciclo será concluído com o terceiro encontro, intitulado “Caminhos de Acesso às Políticas Públicas”. A atividade será voltada à orientação das famílias sobre programas habitacionais, documentação, Cadastro Único, regularização, canais de atendimento e formas de acompanhamento da ação pública.
A proposta é reduzir barreiras de informação e fortalecer a capacidade comunitária de buscar, reivindicar e acompanhar políticas públicas no território. Esse momento também deverá consolidar os aprendizados do ciclo, retomando os principais pontos discutidos nos encontros anteriores e apontando encaminhamentos possíveis para a continuidade do diálogo com a comunidade.
Ao abordar caminhos práticos de acesso a direitos, o terceiro encontro reforça o objetivo central do Café com Reforma Urbana: transformar a intervenção habitacional em um processo mais amplo de cidadania, participação e fortalecimento do direito à cidade.

Moradia digna, participação e transformação territorial
Ao articular reforma habitacional, formação cidadã e participação comunitária, o Café com Reforma Urbana amplia o alcance do Programa Minha Casa + Bonita no território do Risca-Faca. As melhorias em banheiros e fachadas deixam de ser compreendidas apenas como intervenções físicas e passam a integrar um processo mais amplo de promoção da saúde, segurança, autoestima, qualidade de vida e permanência digna das famílias em seu território.
A iniciativa também contribui para fortalecer vínculos entre comunidade, equipe técnica e poder público. A escuta territorial permite compreender melhor as demandas locais, enquanto as atividades formativas ampliam o acesso à informação e estimulam o protagonismo dos moradores.
Para a Quanta, iniciativas como essa reafirmam o compromisso com soluções integradas, sustentáveis e construídas a partir da realidade dos territórios. O trabalho social fortalece a política pública ao transformar obra em vínculo, informação em direito e território em espaço de participação coletiva.
No Risca-Faca, o Café com Reforma Urbana mostra que transformar moradias também é transformar relações, ampliar o diálogo e reconhecer que a cidade se constrói com a participação de quem vive, cuida e dá sentido ao território todos os dias.
Quer conhecer mais sobre o Programa Minha Casa Mais Bonita? Acesse o link do Portfólioe conheça o escopo do projeto.