Da escuta à sistematização das contribuições
No contexto dos debates sobre o futuro das cidades, tem se tornado eminente a compreensão de que o planejamento urbano se fortalece quando articula conhecimento técnico, participação social e gestão de dados. Em Belo Horizonte, esse desafio se materializa no desenvolvimento dos Planos de Ação das centralidades, no âmbito do Programa de Qualificação das Centralidades. Nesse processo, a Quanta, por meio de parceria consorciada, presta apoio técnico ao Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e à Prefeitura de Belo Horizonte, em uma atuação que evidencia a participação social e o gerenciamento de dados como dimensões integradas do planejamento urbano. Essa abordagem faz parte de como a Quanta atua, integrando escuta qualificada, metodologias participativas e compromisso com soluções territorialmente aderentes.
Promover a participação social no planejamento urbano envolve mobilização social e a criação de condições para que diferentes grupos possam compreender, se expressar e contribuir para decisões que incidem sobre os espaços em que vivem. Nesse processo, é importante desenvolver metodologias capazes de articular diferentes saberes, reconhecendo a importância das vivências e percepções de quem conhece de perto essas realidades.
A mediação realizada pela equipe técnica exige escuta atenta, sensibilidade às diferentes formas de expressão e uma atenção capaz de transformar as contribuições coletadas em insumos para o planejamento. Nesse sentido, a construção de metodologias participativas é fundamental para qualificar a participação, considerando diferentes perfis de público e linguagens, incluindo oficinas, mapeamentos participativos, caminhadas exploratórias e atividades voltadas a públicos específicos, como crianças, jovens e mulheres.
Ao mesmo tempo, a diversidade de metodologias traz outro desafio, que é a sistematização das contribuições, produzidas em formatos diversos e, em geral, não estruturados. Para transformar esse conjunto heterogêneo em insumos analíticos, é necessário adotar ferramentas que organizem, classifiquem e integrem informações como registros cartográficos, relatos, imagens e produções coletivas.

Nesse processo, o banco de dados georreferenciados (BDG) articula dados coletados em campo e por processos de escuta social com informações provenientes de bases oficiais. Sua estrutura é relacional e georreferenciada, implementada em ambiente PostgreSQL com extensão PostGIS, o que permite padronização, integridade e interoperabilidade dos dados.
No caso de Belo Horizonte, a base foi organizada em tabelas principais, auxiliares e espacializadas (A0, A1, A2, A6, B e C1), possibilitando integração com ferramentas de geoprocessamento, como QGIS e ArcGIS, além do uso em painéis de visualização e análises territoriais. Com isso, o BDG contribui para qualificar as análises territoriais, fortalecer a rastreabilidade das contribuições e apoiar a construção de diretrizes e propostas ancoradas nas dinâmicas e demandas de cada área.
Nesse sentido, a articulação entre participação social e gestão de dados fortalece um planejamento urbano capaz de reunir escuta, análise e sistematização em um mesmo processo. O resultado é a construção de diagnósticos e propostas mais consistentes, conectados às dinâmicas de cada área e comprometidos com uma cidade mais justa, participativa e orientada por evidências.
