No dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, grande parte das imagens que circulam sobre a região volta a se concentrar na floresta, nos rios e na biodiversidade. São elementos centrais para compreender o bioma, mas a Amazônia contemporânea reúne uma diversidade territorial que inclui metrópoles, cidades do interior, bairros populares, comunidades ribeirinhas, territórios indígenas, escolas, sistemas de saneamento, redes urbanas e equipamentos públicos.
Essa diversidade muda a própria maneira de falar sobre sustentabilidade. Em uma região onde questões ambientais, sociais e urbanas se sobrepõem, proteger ecossistemas convive com desafios de acesso à água, esgotamento sanitário, moradia, mobilidade, educação, infraestrutura e adaptação às mudanças climáticas.
A trajetória da Quanta no Amazonas oferece um recorte dessas relações. Desde 2006, a empresa participa de programas e projetos que percorrem diferentes escalas e territórios do estado. A experiência começa nos igarapés de Manaus, passa pelas lagoas e comunidades de Maués, alcança a infraestrutura educacional e segue hoje em novas frentes de requalificação socioambiental e planejamento para a resiliência climática.

Dos igarapés de Manaus à construção de uma agenda integrada de cidade, ambiente e moradia
A atuação da Quanta no Amazonas começa com o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus – PROSAMIM, em 2006. Ao longo de diferentes fases, o programa colocou em uma mesma agenda problemas que frequentemente são tratados por políticas públicas separadas: drenagem, saneamento, habitação, reassentamento, recuperação ambiental, sistema viário, urbanização e fortalecimento institucional.
Essa integração ajuda a entender a complexidade dos territórios atravessados pelos igarapés. Em Manaus, eles fazem parte do sistema ambiental da cidade e, ao mesmo tempo, estão inseridos em áreas densamente ocupadas. Nas suas margens foram construídas moradias, relações comunitárias, percursos cotidianos e formas de uso do espaço urbano. Intervir nesses lugares envolve decisões sobre infraestrutura, mas envolve igualmente a vida de quem construiu sua história ali.
No PROSAMIM I, as ações foram organizadas em frentes de infraestrutura sanitária, sustentabilidade social e institucional, recuperação ambiental e reordenamento urbano. O programa incluiu macrodrenagem e microdrenagem, saneamento, sistema viário, parques, urbanização e reassentamento. Os materiais institucionais registram a construção de mais de 1.200 unidades habitacionais, além da recuperação e canalização de igarapés e da implantação de infraestrutura urbana.

As etapas seguintes ampliaram e aprofundaram esse modelo de intervenção. No PROSAMIM II, com atuação no Igarapé do Quarenta, foram implantados sistemas viários, microdrenagem, obras de arte correntes, pavimentação e drenagem superficial. No PROSAMIM III, as intervenções chegaram à orla do Igarapé São Raimundo e articularam macrodrenagem, microdrenagem, sistema viário e esgotamento sanitário. Entre as entregas registradas estão cerca de 24,5 quilômetros de rede coletora de esgoto, além de linhas de recalque e estações elevatórias.
A experiência acumulada nesses ciclos ajuda a ampliar a leitura sobre sustentabilidade urbana. Um sistema de drenagem modifica a relação de determinado bairro com períodos de chuva e alagamento. O saneamento interfere nas condições ambientais e sanitárias. Uma intervenção habitacional altera localização, deslocamentos e redes de vizinhança. Parques e vias transformam formas de circulação e uso do espaço.

Por essa razão, sustentabilidade territorial depende da articulação entre essas dimensões. Os resultados de uma obra não podem ser observados somente pelo volume de infraestrutura implantada; precisam ser compreendidos a partir das condições que criam para o funcionamento cotidiano do território.
O próprio escopo da Quanta no PROSAMIM reflete essa amplitude. Além da supervisão das obras, os trabalhos incluíram acompanhamento físico-financeiro, análise de projetos, monitoramento ambiental, apoio ao gerenciamento do programa, planejamento e acompanhamento dos componentes de habitação, saneamento, sistema viário e recuperação ambiental.
Quando a experiência de Manaus encontra outras escalas: Maués e as particularidades do interior amazônico
A passagem de Manaus para Maués altera a escala e as condições do trabalho. Entre 2017 e 2019, a Quanta atuou na supervisão do Programa de Saneamento Integrado de Maués – PROSAIMAUÉS, que reuniu intervenções urbanas, ambientais e sanitárias em uma área de aproximadamente 19,1 hectares, envolvendo as lagoas Maresia, Prata e Donga Michiles.
Na área urbana, o programa contemplou recuperação das lagoas, esgotamento sanitário, reabilitação de estação de tratamento, sistema viário, drenagem, urbanização, parques e calçadões. O trabalho de supervisão desenvolvido pela Quanta envolveu acompanhamento dos projetos e das obras, controle de qualidade, monitoramento físico-financeiro, consultoria ambiental, educação ambiental e sanitária e análises de água e solo.
O programa alcançou ainda comunidades das Terras Indígenas Andirá-Marau, onde foram implantados sistemas de abastecimento de água. O escopo registra 8 poços tubulares profundos, 13 unidades sanitárias de uso coletivo e 220 ligações domiciliares de água. Parte dos sistemas utilizou energia solar.
Esse recorte revela uma questão importante para pensar políticas de infraestrutura na Amazônia: território e logística estão diretamente relacionados. O deslocamento entre Manaus e Maués pode exigir longos percursos fluviais; o acesso a determinadas comunidades ocorre por rios; telefonia e internet podem apresentar limitações; a variação periódica do nível das águas interfere na mobilidade e no planejamento das atividades.
Nos registros do projeto, a equipe precisou adotar soluções específicas para comunicação e deslocamento durante a supervisão. Essa experiência mostra que atuar no interior amazônico exige metodologias capazes de responder às condições geográficas, ambientais e sociais do lugar.
O PROSAIMAUÉS permite observar, em escala concreta, como sustentabilidade pode reunir saneamento, recuperação ambiental, energia, infraestrutura e organização territorial. A dimensão cultural exige igual atenção. Comunidades indígenas e ribeirinhas possuem formas próprias de organização e relação com o território, que precisam integrar a leitura dos projetos e das políticas públicas.

Infraestrutura educacional amplia a discussão sobre o que sustenta a vida nos territórios
A trajetória da Quanta no Amazonas inclui uma frente que desloca o olhar dos programas de saneamento para outra infraestrutura cotidiana: a educação.
No PROEMEM – Projeto de Expansão e Melhoria Educacional da Rede Pública Municipal de Manaus, a atuação envolveu a adequação de projetos executivos em metodologia BIM e a supervisão das obras de quatro Centros Integrados Municipais de Educação – CIMEs.
Os projetos reuniram arquitetura, estruturas, instalações hidrossanitárias e elétricas, climatização, urbanização, paisagismo, abastecimento de água, prevenção contra incêndio e outras disciplinas. Na etapa de obra, a Quanta realizou acompanhamento técnico, controle tecnológico, medições, verificação de conformidade com projetos e especificações e acompanhamento das medidas ambientais e de segurança.
No PADEAM – Programa de Aceleração do Desenvolvimento da Educação do Amazonas, a atuação esteve ligada aos levantamentos, estudos e projetos básicos e executivos para a construção da sede do Centro de Mídias de Educação do Amazonas – CEMEAM e à reforma dos espaços administrativos da SEDUC. A metodologia BIM foi utilizada para compatibilizar as diferentes disciplinas de projeto. O programa estadual estava inserido em uma política de ampliação da capacidade da rede de ensino, que previa novas unidades de tempo integral, adaptação de escolas existentes e expansão do atendimento pelo Centro de Mídias.
Trazer esses projetos para uma matéria sobre o Dia da Amazônia ajuda a deslocar a ideia de sustentabilidade de uma leitura restrita ao meio ambiente. Escolas e equipamentos públicos estruturam redes de cuidado, educação, trabalho e deslocamento. Sua presença e distribuição influenciam a forma como as oportunidades chegam aos diferentes territórios.
Uma política de sustentabilidade que considera as condições de vida precisa observar esse conjunto de infraestruturas. Saneamento, habitação e recuperação ambiental convivem com educação, saúde, mobilidade e espaços públicos na organização cotidiana das cidades.

Os ciclos recentes retomam aprendizados anteriores e incorporam novas dimensões socioambientais
A experiência construída desde o PROSAMIM reaparece no Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior – PROSAMIN+, iniciado em um novo ciclo de intervenções na capital.
O programa foi estruturado a partir de três componentes: melhorias ambientais, urbanísticas, habitacionais e de saneamento; sustentabilidade socioambiental e institucional; e administração, engenharia, avaliação e monitoramento. Dentro desses componentes estão obras de infraestrutura, reassentamento, manutenção de sistemas de saneamento, fortalecimento institucional, inovação e digitalização, trabalho social e monitoramento.
A atuação da Quanta envolve supervisão técnica das obras e acompanhamento das dimensões ambiental, habitacional e social. Entre os números registrados nos materiais mais recentes aparecem 752 unidades habitacionais, 48 quilômetros de rede coletora de esgoto, 34 quilômetros de redes de drenagem e ações de recuperação ambiental, incluindo monitoramento e plantio de vegetação.
O reassentamento continua a ocupar lugar relevante no programa. Os materiais de referência incluem diferentes formas de atendimento habitacional, acompanhamento social, comunicação comunitária, educação ambiental e sanitária e fortalecimento da capacidade institucional para operação e manutenção das infraestruturas.

Essa estrutura mostra uma mudança importante na leitura das intervenções urbanas. A sustentabilidade de uma obra depende da infraestrutura construída, das condições de gestão após sua conclusão e das relações estabelecidas com a população durante e depois das intervenções.
No interior, Parintins aparece nesse processo de expansão das políticas socioambientais. Nos estudos desenvolvidos para a concepção de novas intervenções no Amazonas, o município foi tratado como uma das áreas de análise, com aproximadamente 140 hectares. O conjunto de produtos previsto reuniu estudos de urbanização, habitação, abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem, resíduos sólidos, cadastro socioeconômico, consultas públicas, planos de reassentamento, sustentabilidade socioambiental, comunicação, diagnóstico ambiental e projetos de engenharia.
Esse repertório ajuda a compreender o atual PROSAI Parintins dentro de uma trajetória de expansão das experiências socioambientais para outros contextos amazônicos. O ponto relevante não está em transportar um modelo concebido em Manaus, mas em trabalhar com um conjunto integrado de temas a partir das condições do município.
Parintins possui outra escala, outra organização urbana e outras relações entre áreas edificadas, ambiente e ciclos naturais. Esse é um princípio que atravessa a experiência no estado: programas podem compartilhar metodologias e aprendizados, mas cada território precisa produzir seu próprio diagnóstico.

A crise climática coloca novas perguntas para cidades e municípios amazônicos
Os desafios atuais acrescentam outra camada a essa trajetória. Em 2026, a Quanta passou a atuar na preparação de estudos técnicos para o Programa de Resiliência Climática e Segurança Hídrica na Bacia Amazônica, em apoio ao Governo do Estado do Amazonas e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento.
O programa está inserido em um marco regional de financiamento climático aprovado pelo Green Climate Fund (GCF) e busca estruturar intervenções capazes de fortalecer a resiliência climática e a segurança hídrica em territórios amazônicos.
No Amazonas, a consultoria trabalha com foco em Coari, Presidente Figueiredo e Eirunepé. O escopo reúne levantamentos de campo, diagnósticos territoriais, articulação institucional, identificação de áreas críticas e análise de riscos climáticos e geológicos. As frentes estudadas incluem abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem, gestão de resíduos e monitoramento climático.
A elaboração das propostas passa pela combinação de dados secundários, evidências de campo e interlocução com atores estaduais e municipais. O objetivo é estabelecer critérios para priorização de intervenções, estimar custos, organizar cronogramas e estruturar estratégias de implementação.
Esse trabalho ajuda a situar uma questão crescente no debate sobre sustentabilidade amazônica. Mudanças no regime de chuvas, períodos de seca, cheias, erosões e outros riscos climáticos interagem com desigualdades que já existem nos territórios.
Uma área com baixa cobertura de saneamento ou drenagem enfrenta determinado evento climático em condições diferentes de uma região com infraestrutura consolidada. Famílias em moradias expostas a riscos possuem capacidade de resposta distinta daquelas que contam com serviços e políticas públicas estruturadas.
Nesse contexto, resiliência climática passa pela capacidade de antecipar riscos e reconhecer quais territórios e grupos sociais estão mais expostos. A infraestrutura entra nessa equação junto com planejamento, gestão pública, informação territorial e políticas de redução das desigualdades.
No Dia da Amazônia, sustentabilidade pode ser lida a partir da vida cotidiana
Quase duas décadas separam o início da atuação da Quanta no PROSAMIM dos estudos atuais de resiliência climática. Nesse intervalo, os projetos percorreram igarapés e bairros de Manaus, lagoas e comunidades de Maués, equipamentos educacionais, áreas de reassentamento e municípios do interior.
Vistos em conjunto, esses trabalhos ajudam a construir outra representação da Amazônia.
A região é floresta, rios e biodiversidade. É formada por cidades, territórios indígenas e ribeirinhos, bairros, escolas, moradias, sistemas de saneamento, equipamentos públicos e redes de infraestrutura. Essas dimensões convivem e influenciam a forma como as pessoas acessam direitos, enfrentam riscos e constroem suas relações com o território.
É por isso que o Dia da Amazônia pode abrir uma discussão que vai além da preservação entendida de forma isolada. Sustentabilidade envolve reconhecer os sistemas naturais e compreender as condições sociais, urbanas e institucionais que sustentam a vida na região.
A experiência dos diferentes projetos aponta para uma pergunta que permanece atual: como planejar cidades e infraestruturas capazes de responder aos desafios ambientais e climáticos sem perder de vista as desigualdades, os modos de vida e os conhecimentos produzidos em cada território?
