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Saneamento no Brasil: Por que ainda estamos longe do básico.

Saneamento no Brasil: Por que ainda estamos longe do básico.
Publicado em
20 janeiro 2026

Como falar de desenvolvimento sem falar de saneamento?

Água limpa, esgoto tratado e drenagem eficiente ainda estão longe de ser realidade em boa parte dos territórios brasileiros. Isso impacta diretamente a saúde, a qualidade de vida e escancara desigualdades que seguem sendo naturalizadas.

Neste artigo, o engenheiro Paulo Brunstein, gerente de contratos comerciais da Quanta em São Paulo, traz uma leitura crítica sobre os desafios que persistem e os caminhos que precisamos construir, conectando técnica, pertencimento e compromisso com o coletivo.

Por Paulo Guilherme Valério Brunstein, Diretor da Quanta Consultoria.

O saneamento básico permanece como um pilar essencial da dignidade humana, da saúde pública e do desenvolvimento socioeconômico sustentável. A urgência do tema se intensifica nos contextos urbanos e periféricos, onde a vulnerabilidade é mais evidente e as oportunidades de melhoria, mais desafiadoras.

Em mais de três décadas acompanhando a realidade do saneamento no Brasil, sigo constatando um descompasso persistente entre o que é planejado e o que chega, de fato, às populações. A infraestrutura de água, esgoto, manejo de resíduos sólidos e drenagem ainda não acompanha o ritmo do crescimento populacional, da expansão urbana e das desigualdades de acesso. O resultado são impactos diretos na saúde pública e na qualidade de vida, especialmente entre crianças e idosos.

Cenários diversos, desafios em comum

Embora as realidades regionais variem, há traços comuns: sobrecarga em áreas já saturadas, ocupações em margens de rios e encostas, precariedade nos serviços de água e esgoto. Enquanto grandes cidades lidam com redes extensas, mas com perdas técnicas elevadas, municípios menores enfrentam soluções improvisadas, como fossas rudimentares e tratamento insuficiente.
Na região Sudeste, onde estou baseado, o cenário também é crítico. São Paulo, por exemplo, opera com apenas 22% da capacidade de seus mananciais. Os fatores são múltiplos: rios poluídos, perdas na distribuição, alterações no clima e um modelo de gestão que ainda precisa avançar em integração e prevenção.

Caminhos possíveis: transição e compromisso

A cobertura universal de saneamento exige mais do que cumprir metas: requer planejamento consistente, decisões políticas duradouras e soluções adequadas à realidade de cada território. Isso envolve:

  • Garantia de água potável e esgotamento sanitário;
  • Investimento em drenagem urbana e gestão de enchentes;
  • Reuso de água e tecnologias para monitoramento em tempo real;
  • Participação social e educação sanitária continuada;
  • Integração efetiva entre saúde, meio ambiente, urbanismo e operação.

O papel da engenharia comprometida com o futuro

Na Quanta, defendemos que a engenharia não é neutra. Ela pode e deve ser uma ferramenta de transformação. Atuamos com projetos que conectam técnica, inovação e fortalecimento territorial: de cidades esponjas à requalificação de redes e estações, da educação ambiental ao reuso seguro de efluentes. Isso inclui propor o tratamento terciário de esgoto, integrando a água tratada novamente aos sistemas de abastecimento com qualidade e segurança. Sempre pensando que a educação ambiental é um pilar importante pós projeto, que pode impulsionar uma infraestrutura e propor mudanças seja para um bairro, seja para uma cidade.

O desafio não é só técnico, é estrutural: ambiental e social.

O que está em jogo é investimento em infraestrutura, mas também é saúde pública, justiça territorial e sustentabilidade. Avançar no saneamento exige planejamento de longo prazo, financiamento estável, governança clara e vontade de romper com soluções paliativas.
Enquanto especialista, sigo acreditando que é possível, com seriedade, escuta e decisão, transformar o cotidiano de milhões de pessoas. E isso começa por reconhecer que o básico ainda falta, mas pode ser bem-feito.

Paulo Guilherme Valério Brunstein é diretor da Quanta Consultoria em São Paulo. Engenheiro civil (FESP), com MBA pela FGV, atua há mais de 30 anos na área de saneamento, infraestrutura e gestão de empreendimentos públicos. Já coordenou projetos para SABESP, DAEE, EMAE, SANEPAR, entre outros. Foi conselheiro do CREA-SP e de associações setoriais.

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