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Sustentabilidade Socioambiental
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O que são Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e como elas contribuem para territórios mais resilientes

Com base no Padrão Global da IUCN, as Soluções Baseadas na Natureza articulam proteção dos ecossistemas, adaptação climática, redução de riscos e desenvolvimento sustentável em diferentes escalas territoriais.

O que são Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e como elas contribuem para territórios mais resilientes
Publicado em
11 setembro 2026

As mudanças climáticas vêm ampliando a frequência e a intensidade de eventos extremos, com efeitos sobre populações, infraestruturas existentes, atividades econômicas e ecossistemas. Inundações, enxurradas, ondas de calor, secas, erosão e perda de biodiversidade mostram que os desafios ambientais e sociais estão cada vez mais conectados.

É nesse contexto que as Soluções Baseadas na Natureza (SBN) ganham relevância. A abordagem parte do reconhecimento de que os ecossistemas exercem funções essenciais para a sociedade. Vegetação, solos, rios, áreas úmidas, florestas, manguezais e restingas participam da regulação da água e do clima, da filtragem de poluentes, da proteção do solo, da polinização e da manutenção da biodiversidade. Quando esses sistemas são protegidos, manejados ou restaurados de forma planejada, podem contribuir para reduzir vulnerabilidades e ampliar a resiliência dos territórios.

FOTO: REPRODUÇÃO

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) é uma das principais referências internacionais sobre o tema. O estudo desenvolvido pela Quanta adota como referência o Padrão Global da IUCN para Soluções Baseadas na Natureza, publicado em 2020. A abordagem considera ações voltadas à proteção, ao manejo sustentável e à restauração de ecossistemas naturais ou modificados para responder a desafios da sociedade e gerar benefícios para o bem-estar humano e para a biodiversidade.

Essa definição ajuda a diferenciar uma SBN de uma intervenção “verde”. A presença de vegetação, por si só, não caracteriza uma solução baseada na natureza. É necessário que exista um problema identificado, uma função ecológica associada à resposta e benefícios sociais e ambientais definidos.

O estudo destaca dois pontos centrais: funcionalidade ecossistêmica e geração de benefícios múltiplos. Na prática, isso significa usar processos como infiltração, retenção hídrica, filtragem de poluentes, proteção do solo e regulação térmica para enfrentar problemas concretos. Uma mesma intervenção pode contribuir para drenagem, biodiversidade, conforto ambiental, lazer, saúde e redução de riscos.

FOTO: REPRODUÇÃO

As SBN podem atuar em diferentes territórios e escalas. O estudo organiza essas intervenções em três grandes grupos. O primeiro está associado à conservação e ao manejo sustentável de ecossistemas naturais, incluindo unidades de conservação, corredores ecológicos, áreas de preservação e instrumentos de governança ambiental.

O segundo envolve restauração e manejo de áreas transformadas, com ações como recuperação de nascentes, rios, matas ciliares, manguezais, restingas, encostas e paisagens produtivas. Sistemas agroflorestais, agroecologia e práticas regenerativas também aparecem nesse campo.

O terceiro grupo reúne soluções aplicadas em paisagens intensamente modificadas, como jardins de chuva, biovaletas, wetlands construídos, sistemas de arborização, hortas urbanas, parques lineares e bacias de detenção, retenção e infiltração.

O Padrão Global da IUCN estabelece oito critérios para orientar o planejamento, a implementação e a avaliação das SBN. Entre eles estão resposta a desafios da sociedade, adequação à escala territorial, ganhos para biodiversidade, viabilidade econômica, governança inclusiva, equilíbrio entre benefícios e impactos, gestão adaptativa e sustentabilidade no longo prazo.

Esse conjunto mostra que aplicar uma SBN exige diagnóstico, planejamento, governança, conhecimento ecológico, viabilidade e acompanhamento. A natureza deixa de ser um elemento decorativo e passa a integrar a lógica funcional da solução.

A relação com a Agenda 2030 da ONU também aparece no estudo. As SBN são associadas diretamente ao ODS 3 — Saúde e Bem-Estar, ODS 6 — Água Potável e Saneamento, ODS 11 — Cidades e Comunidades Sustentáveis e ODS 12 — Consumo e Produção Responsáveis.

Essa conexão acontece porque as SBN podem contribuir para redução de riscos ambientais, melhoria da qualidade da água, resiliência territorial, preservação dos recursos naturais e práticas associadas à economia circular.

A agenda de SBN também vem avançando no campo das políticas públicas e do financiamento. O relatório aponta que instituições como Banco Mundial, BID, CAF, Novo Banco de Desenvolvimento, KfW e Agência Francesa de Desenvolvimento vêm incorporando infraestrutura verde, biodiversidade, resiliência ambiental e redução de riscos em suas estratégias de financiamento. Segundo o levantamento reunido no documento, o Grupo Banco Mundial financiou cerca de 250 projetos com componentes de SBN entre 2012 e 2024.

No Brasil, o estudo identifica mecanismos e programas como Fundo Clima, BNDES, FINEM, FINISA, Programa Cidades Verdes Resilientes, AdaptaCidades, Novo PAC Encostas e Periferia Viva. Esse movimento mostra que a abordagem vem deixando o campo conceitual e entrando em agendas concretas de planejamento, financiamento e implementação.

Esse avanço encontra reflexo em projetos que já integram a atuação da Quanta em diferentes territórios. Em Maricá, iniciativas como Ecoparque, Parque Inundável e Reservatórios de Caxito, Condado e Ubatiba aproximam planejamento urbano, adaptação climática, manejo das águas e recuperação ambiental. Em outra frente, o Complexo Hidrossocial Barragem Oiticica, inserido no Novo PAC, reforça a presença da Quanta em projetos relacionados à segurança hídrica e ao desenvolvimento territorial. No Amazonas, o Programa de Resiliência Climática e Segurança Hídrica estrutura soluções para Coari, Eirunepé e Presidente Figueiredo, integrando monitoramento, saneamento resiliente, drenagem, segurança hídrica e Soluções Baseadas na Natureza.

FOTO: QUANTA CONSULTORIA/COARI

O relatório reúne ainda dados que ajudam a dimensionar a relevância econômica dessas soluções. Estudos citados no documento indicam que projetos fundamentados em infraestrutura verde e azul podem apresentar, em média, custos de implantação 42% inferiores e gerar 36% mais valor social e público quando comparados a soluções convencionais de infraestrutura cinza.

Esses números não devem ser tratados como regra para qualquer intervenção. Custos e benefícios dependem do contexto, da escala, da tipologia e do ciclo de vida de cada solução. O dado reforça, porém, a importância de avaliar SBN por seus benefícios combinados e pela capacidade de responder a diferentes funções ao mesmo tempo.

Outro aspecto destacado no estudo é a relação entre SBN, economia circular e inclusão socioprodutiva. Soluções como jardins de chuva, biovaletas, hortas, áreas reflorestadas e parques lineares demandam implantação, manejo, monitoramento e manutenção. Esses processos podem envolver viveiros, agricultores, jardineiros, cooperativas, associações comunitárias e ações de educação ambiental. Essa lógica amplia o papel das SBN: além de atuar sobre riscos ambientais, elas podem integrar qualificação territorial, geração de trabalho e renda, capacitação profissional e cuidado permanente com os espaços.

Aplicar Soluções Baseadas na Natureza começa antes da escolha de uma técnica. É necessário compreender o problema, o território, os ecossistemas, os riscos, as pessoas envolvidas e os serviços ecossistêmicos que podem ser protegidos, recuperados ou incorporados. Esse diagnóstico é o que permite transformar uma abordagem ampla em estratégia técnica.

As SBN podem integrar biodiversidade, adaptação climática, desenvolvimento sustentável, inclusão e viabilidade econômica. O ponto central está em entender como o território funciona antes de definir a intervenção.

Nos próximos conteúdos, vamos aprofundar essa discussão a partir de projetos em que esses princípios aparecem aplicados a desafios reais de adaptação climática, manejo das águas, resiliência e qualificação territorial. Entre eles, o Ecoparque, os Reservatóros e o Parque Inundável, em Maricá; o Programa de Resiliência Climática e Segurança Hídrica, no Amazonas; o Complexo Hidrossocial Barragem Oiticica, vinculado ao Novo PAC; e outras experiências desenvolvidas pela Quanta.

Referências principais

IUCN. Global Standard for Nature-based Solutions: a user-friendly framework for the verification, design and scaling up of NbS. 2020.

Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Manual prático: aplicabilidade de soluções baseadas na natureza nos municípios brasileiros. 2025.

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