No dia 3 de julho, a Quanta lembra a importância do combate à discriminação racial. O enfrentamento ao racismo ambiental exige reconhecer, a partir de uma leitura interseccional, que riscos e carências urbanas não se distribuem aleatoriamente. A ausência de saneamento, a exposição a inundações e deslizamentos, a precariedade da habitação, a escassez de áreas verdes e a baixa participação nas decisões públicas tendem a concentrar-se em territórios historicamente menos atendidos por infraestrutura e políticas urbanas.
É nesse campo que se insere a atuação da Quanta. Por meio de projetos de urbanização de reassentamento e assentamentos, drenagem urbana, saneamento ambiental, habitação social, recuperação de áreas degradadas, planejamento territorial, trabalho técnico social e participação comunitária, a empresa contribui para enfrentar condições materiais que ampliam a vulnerabilidade socioambiental de populações periféricas, tradicionais e de baixa renda.

Afinal, o que é racismo ambiental?
O conceito surgiu nos Estados Unidos, a partir das lutas por justiça ambiental no Condado de Warren, na Carolina do Norte. Segundo Valentim et al. (2024), o caso envolveu a escolha de uma comunidade pobre, rural e majoritariamente afro-americana para receber resíduos contaminados. A decisão, segundo o artigo, não foi tomada por critérios ambientais, mas pela percepção de que aquela população teria menor capacidade de resistência social e política.
O termo é associado a Benjamin Chavis, reverendo e ativista dos direitos civis que, ainda jovem, atuou junto à Southern Christian Leadership Conference, organização liderada por Martin Luther King Jr. A partir de Chavis, o racismo ambiental pode ser entendido como a discriminação racial na formulação de políticas ambientais, na aplicação de leis, na localização de indústrias poluentes e resíduos tóxicos em comunidades racializadas, além da exclusão dessas populações dos espaços de decisão ambiental.

No Brasil, o risco tem cor, etnia e história.
No Brasil, o racismo ambiental aparece na ausência ou precariedade do saneamento, mas também na exposição desigual a enchentes, deslizamentos, ilhas de calor, poluição, insegurança hídrica, falta de áreas verdes, descarte irregular de resíduos, contaminação de rios, avanço de empreendimentos sobre territórios tradicionais e moradia em áreas de risco.
O livro Racismo Ambiental e Emergências Climáticas no Brasil, organizado por Mariana Belmont, aponta que o debate ambiental precisa considerar raça, gênero, classe e território. A obra reforça que a crise climática atinge com maior intensidade populações negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, periféricas e comunidades tradicionais, grupos que historicamente menos contribuíram para a degradação ambiental em larga escala.

Crédito das fotos: UGPE
Os dados reforçam a desigualdade, o que nos diz o censo do IBGE sobre essas diferentes camadas?
Os dados do IBGE ajudam a dimensionar essa realidade. No Censo 2022, 92,1 milhões de pessoas se declararam pardas, 20,6 milhões pretas e 1,7 milhão indígenas. Pessoas pretas e pardas, juntas, formam a maioria da população brasileira, mas seguem mais expostas às desigualdades no acesso à infraestrutura, à proteção ambiental e a condições seguras de moradia.
Em 2022, o IBGE também apontou que as restrições de acesso ao saneamento básico eram maiores entre pessoas pretas, pardas e indígenas. Embora o saneamento não resuma o racismo ambiental, ele revela uma de suas faces mais visíveis: a precariedade no acesso à água, ao esgotamento sanitário e à coleta de resíduos amplia riscos de doenças, contaminações e vulnerabilidades socioambientais.
Entre os povos indígenas, a desigualdade é ainda mais profunda:69,1% das pessoas indígenas em domicílios particulares permanentes conviviam, em 2022, com pelo menos uma situação de precariedade ou ausência de saneamento básico relacionada ao abastecimento de água, à destinação de esgoto ou ao destino do lixo. Esse dado precisa ser lido junto a outras pressões sobre esses territórios, como conflitos fundiários, invasões, garimpo, desmatamento e contaminação de rios.

Da reflexão à prática: territórios, proteção e redução de desigualdades
Em Manaus/AM, a atuação em iniciativas como o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus – PROSAMIM – e o PROSAMIN+está relacionada à recuperação ambiental de áreas de igarapés, à implantação de infraestrutura de saneamento e drenagem, à requalificação urbana e à melhoria das condições de moradia em territórios marcados por alagamentos, insalubridade e risco.

Em João Pessoa/PB, no âmbito do Programa João Pessoa Sustentável, as intervenções urbanas e socioambientais articulam habitação, drenagem, infraestrutura urbana, qualificação de espaços públicos e redução de riscos em áreas vulneráveis. A integração entre diagnóstico territorial, projeto urbano e ações sociais é fundamental para que a infraestrutura responda às condições reais de vida da população.

Em Maricá/RJ, a Quanta desenvolve o Estudo Estratégico de Adaptação Climática com Soluções Baseadas na Natureza, voltado à identificação e priorização de oportunidades de intervenção em todo o território municipal. O estudo parte do reconhecimento de que os impactos climáticos não atingem todas as pessoas e áreas da mesma forma. Por isso, articula informações sobre riscos de inundação, erosão e movimentos de massa com dados de renda, raça/cor, gênero, condições habitacionais, acesso ao saneamento, drenagem, mobilidade, áreas verdes e demais serviços urbanos.
A metodologia busca identificar os territórios e grupos sociais mais expostos aos impactos climáticos e com menor capacidade de resposta e recuperação. A partir dessa leitura, serão definidas estratégias de adaptação e Soluções Baseadas na Natureza (SBN)orientadas por critérios de equidade socioambiental, contribuindo para que investimentos públicos e benefícios ambientais sejam priorizados onde as vulnerabilidades são maiores. Nesse contexto, o racismo ambiental é compreendido como uma expressão da distribuição desigual de riscos, danos, infraestrutura, investimentos e acesso aos benefícios ambientais no território.
No Amazonas, a Quanta realiza consultoria para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Governo do Estado voltada à estruturação de um projeto de resiliência climática e segurança hídrica no âmbito do Programa de Resiliência Climática e Segurança Hídrica na Bacia Amazônica. O trabalho organiza a priorização de municípios a partir de uma matriz que considera déficits de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos, qualidade da água, exposição a riscos climáticos e geológicos e capacidade institucional de resposta.

A abordagem reconhece que a vulnerabilidade climática não decorre apenas da ocorrência de eventos extremos, mas também da desigualdade no acesso a infraestrutura, serviços públicos e instrumentos de gestão. Ao orientar a seleção de municípios e futuras intervenções com base em evidências sobre déficits de saneamento, riscos e populações vulneráveis, o estudo contribui para direcionar investimentos a territórios onde a precariedade hídrica e ambiental é mais intensa.
Nesse contexto amazônico, a relação com o racismo ambiental está na necessidade de enfrentar desigualdades históricas que afetam populações ribeirinhas, indígenas, comunidades tradicionais e habitantes de municípios com maior isolamento territorial e menor acesso a serviços de água, esgoto e gestão de resíduos. A contribuição da Quanta está em transformar essas desigualdades em critérios objetivos de diagnóstico, priorização e estruturação de investimentos públicos.
Em trabalhos de urbanização, como os desenvolvidos em assentamentos precários, a Quanta também atua sobre problemas cotidianos que expressam desigualdades ambientais:redes de drenagem insuficientes, contato da população com esgoto, ocupação de margens de cursos d’água, vias sem acessibilidade, dificuldade de acesso a serviços urbanos e exposição recorrente a alagamentos. A contribuição técnica, nesse contexto, não se limita à execução de obras ou à elaboração de projetos. Ela envolve produzir diagnósticos que identifiquem desigualdades no território, priorizar áreas mais expostas aos riscos, incorporar a participação dos moradores e estruturar soluções que combinem infraestrutura, recuperação ambiental, moradia digna, mobilidade, espaços públicos e acesso a direitos.

Assim, a justiça climática e ambiental passa a ser tratada como uma dimensão concreta do planejamento urbano: reduzir riscos onde eles já se concentram, ampliar a capacidade de adaptação das comunidades e qualificar os territórios sem desconsiderar suas formas de vida, seus vínculos sociais e seus saberes.
Nessa perspectiva, a Quanta atua em projetos que articulam engenharia, urbanismo, meio ambiente, habitação, saneamento, trabalho técnico social e planejamento integrado, contribuindo para reduzir vulnerabilidades, fortalecer o bem viver e melhores condições de dignidade.